quinta-feira, 25 de maio de 2017

Inspiração



Inspiração

Acordo
Olho as árvores
Que me inspiram
Observo
Navego

Barco de meia-lua

Diurno
Não durmo

Sem remos
Navega
Segue

Entre o mar e o céu
O barco segue
Sem rumo

Navego

O olhar
Elevado ao céu

Estrela Mãe
Que me dá luz
Em mim se espelha
Navego
Com o olhar elevado ao céu
Farol de luz
Eterno



Cidália Rodrigues

Perfume



Perfume

Água apura
Da chuva
Logo o sol

Perfume puro
Da manhã

Hortelã
Alfazema
Lúcia Lima
Rosmaninho

Com carinho
Aprecio o dia

Perfume tão sublime



Cidália Rodrigues

Novo dia



O sol nascia
Por detrás da capela
Manhã tão bela
Vivia...

Do sono despertara
Sem saber por onde andara

Era novo dia
Nova caminhada
Por isso acordara

Na rua cantavam animadas
As várias espécies da passarada




Cidália Rodrigues

sábado, 20 de maio de 2017

Dias com história



Fui caminhar, sentir o sol, respirar o ar puro do pinhal. Recordar o corre, corre da manhã e o burburinho das gentes que trabalharam por este lugar.

Percorri este trajecto numa rua paralela à Avenida Comandante Rául Tomé Feteira com 1500 metros de comprimento, veio-me a nostalgia dos dias de criança, em que na minha tenra idade pegava na lancheira para levar o almoço à minha irmã mais velha que trabalhava na empalhação, como eram longos aqueles metros de rua, de pedra e terra batida, hoje revestida com alcatrão.

Nesta descrição falo concretamente da povoação, hoje vila, da Guia que fica a oeste de Pombal, a localidade mais desenvolvida do concelho, em tempos de que há memória existiu um complexo industrial, cuja matéria-prima era a areia e madeira.

O complexo industrial constituído por serrações de madeira, uma destilaria, uma fábrica de vidro, uma empalhação, davam de comer a muitas famílias, umas da localidade outras vindas de outras regiões do País.

A fábrica de vidro no período da II Guerra Mundial fabricava garrafas para o vinho do Porto, a fim de ser exportado para a Europa. A mesma fábrica deu origem à Covina, fábrica de vidro, instalada em Santa Iria da Azoia perto de Lisboa.

A destilaria fabricava cola e pez feitos da resina dos pinheiros.

A empalhação revestia garrafões de vidro com vime vindo da Madeira.

Do que ficou, observo os altos-fornos, da fábrica da cola e da fábrica de vidro e do resto ficou registado na memória dos que ali viveram e trabalharam. Anos dourados, vividos em comunhão na alegria de haver trabalho e de algum pão para comerem ao serão.

Neste passeio matinal, olhei a linha de caminho de ferro do Oeste, que liga as Caldas da Rainha a Coimbra, construído nos finais do Século XIX, (hoje com pouca vida) muito utilizado (por passageiros e mercadorias) até aos finais dos anos setenta do Século passado.

Estas são uma parte das imagens que ainda restam dum passado com muita história, de dor, de amor.


 Cidália Rodrigues

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Abandonado

Abandonado
disperto
alimentado
acarinhado
olhar  vivo
descontraído
amigo
sereno
sempre activo

Cidália Rodrigues

domingo, 14 de maio de 2017

Cerejas verdes



Cerejas verdes

Entre as folhas verdes
Mostram-se ao sol
As cerejas
Ainda verdes
Em tom diferente do verde das folhas
Brilham no seu verde tom
As cerejas

Estão verdes
As cerejas


Cidália Rodrigues